~~~~~ Filosofias Salgadas (Morto) | Oceano Pensante (Renatito) ~~~~~


segunda-feira, maio 18, 2009
Clandestinos

Não havia passado nada de interessante na minha cabeça que me motivasse a escrever qualquer coisa. Tive um bom final de semana, as perspectivas para a semana foram corriqueiras, comi e resolvi aguardar o término do "Tele-Domingo", a fim de obter notícias sobre a dupla Gre-nal, já que até então não tinha visto o lance tão polêmico apontado pelo árbitro de Grêmio x Atlético-MG, o Seneme. Apesar do bafafá, não foi isso o que me fez criar vontade de pôr qualquer coisa aqui, foi justamente uma matéria do programa anterior, o "Tele-Domingo".

Particularmente, não tenho nada contra ele, apesar de achá-lo um tanto superficial, mas o que se esperar de um programa com uma proposta de "revista semanal", que vai ao ar perto da meia noite? Mostrou-se as caravanas atrás de uma santa qualquer, falou-se sobre o caso do deputado federal que não estava nem aí para a opinião pública, sobre os bombeiros que se foderam na tragédia de Santa Catarina (e que agora estão bem) e finalmente a matéria que me deixou cabulado: uma denúncia sobre o transporte clandestino que ruma para Eldorado do Sul e Guaíba.

Buenas... Eu não moro nessas cidades mas trabalhei durante algum tempo por lá. Em primeira instância, usei muito os ônibus e vãs da "Expresso Guaíba", mas no final das contas optei pelos clandestinos. Por quê? Bem, depois de quase ser demitido em virtude dos atrasos diversos, resolvi reclamar para a empresa sobre a irregularidade nos horários dos ônibus. Não somente eu o fiz, mas todos os meus colegas. A resposta? A pior possível: descaso; silêncio. Com os "clandestinos", não houve atraso. Nunca. O motorista com quem eu pegava essa carona, era um sujeito muito legal, aliás muito mais solícito e simpático que os sonolentos e emburrados motoristas do transporte "oficial". Fora o retorno para Porto Alegre: quando de ônibus, cansei de ficar na parada por até uma hora para acabar descobrindo que os horários, naquela semana, haviam sofrido uma "alteração ocasional".

A repórter do "Tele-Domingo" entrevistou o presidente da empresa, que fez-se de vítima mas não chegou a cobrar providências da SMOV, mesmo porque a secretaria já faz a sua parte quando nota alguma irregularidade. Mas, bem salientado por um fiscal, "não há como saber quando o transporte está sendo cobrado". Na verdade, até há como sabê-lo: aqueles ônibus e vãs com "Guaíba" impresso na lateral, o são! E não são nada "legais"...

Eu fiquei sinceramente indignado. A questão da segurança, quando abordaram a necessidade do uso do cinto de segurança, por exemplo: e desde quando há cintos de segurança nos ônibus? E sobre a capacidade dos motoristas clandestinos, pois esses não seriam capacitados como os "profissionais"... Olha, nos últimos três meses, somente aqui em Porto Alegre, já houve dois acidentes graves, com vítimas de ferimentos e até morte. Me sinto tão seguro com um motorista profissional quanto se fosse uma morsa ao volante.

Finalmente, a questão do custo: o "Tele-Domingo" informou que não havia diferença de preço entre a passagem do ônibus e o que os motoristas clandestinos cobravam. Mentira escrachada, pois lembro-me de pagar até R$0,30 mais barato.

No final das contas, acho que isso só deve incomodar de fato o dono da "Expresso Guaíba", pois apesar de ser uma empresa de transporte público, ela é privada (como um montão de empresas de transporte público, aliás). E os passageiros são tratados como tudo aquilo que vai dentro de uma privada, mas sem direito ao "Bom ar".




quinta-feira, maio 14, 2009
Semáforo

Sabe, quando a gente nasce? Eu não tenho bem certeza, posto que a a lembrança mais tenra da minha infância é meu aniversário de 10 anos - sério mesmo: e só lembro por causa do bolo, que tinha uma pista com confeitos e motinhos disputando uma corrida alucinada rumo aos estômagos roncantes dos que circundavam a mesa. Mas a gente nasce e os familiares nos enxergam com aqueles olhos promissores e famintos por nossas vitórias.

Brabo mesmo é quando o sujeito chega e diz: "-Pssssss... Pronto pessoal! Virei mindingo..." Cara, tu vais dizer o quê pro sujeito? Ele tá errado? Tá certo? Tá fudido, certamente, mas isso não vem ao caso. Tornar-se mendigo é uma decisão difícil. Pode ser que o Ciclano nunca tenha tido nada, daí fica mais fácil de entender, embora a mendicância seja a evolução natural da coisa e isso acaba tirando um pouco o babado do rebolado. Agora, o sujeito que vislumbrou o nirvana da sociedade consumista, aquele Zé Mané que soube o que era estudar nos melhores liceus, usando sempre material didático de primeira... Vais dizer o que prá ele? Definitivamente, é alguém decidido!

"Quem planta o que quer, colhe o que não quer", diz o ditado, mas se eu plantar cana de açúcar, terei a cachaça no futuro. E, numa dessas, na onda da energia verde e biocombustíveis, hei de me tornar o sultão do etanol. Claro, com o que sobrar da canha...

Mas, bem da verdade, é difícil entender quando alguém abandona a mínima perspectiva possível, aquela centelha que de uma hora para outra se tornava chama. Sem os gatilhos óbvios - grandes perdas; de amigos ou parentes ou ambos - o que faz qualquer um abandonar qualquer significado e tentar manter-se vivo, mesmo assim? A falta de significado é óbvia - e totalmente verossímil -, mas será só o instinto a manter os faróis acesos?

Eu não tenho qualquer opinião a esse respeito, porque concordo com a ausência explícita de significados. Também não sei o ideal do "carpe diem". Só que, atualmente, minhas lembranças vão muito além das motinhos e do bolo de aniversário, mesmo que o brilho no olhar dos meus parentes já não seja assim, tão óbvio...




segunda-feira, maio 04, 2009
O desperto e o mundo de verdade

Aquele maldito aparelho celular - em sua função "despertador" - abreviava mais uma maravilhosa noite de sono. E ele olhava para o aparelho e pensava: "Só não o atiro pela janela porque essa tralha não sente dor". Bendita, pois, a tecla de soneca, que lhe permitia mais dez minutos de sossego - e o fim de seu ímpeto defenestrador.

E no reino dos sonhos - novamente -, tinha fantasias carnais com sua Vênus de Milo. Coisas que aquela boca fazia, nenhum livro de anatomia jamais ousara supor... Mãos, seios, coxas (e entre-coxas), tudo era visualizado, tocado e experimentado. Até que o tempo acabou, de novo... Mas a tecla de soneca, apesar da alcunha, trabalha duro e sem descanso, e mais dez minutos lhe foram concedidos.

Dentro de seu Porsche, ao lado de Morfeu, o sujeito guiou por uma autobahn infinita e sem tráfego. O carro estava sem controle mas jamais perdeu-se em uma curva sequer. O ronco do motor lhe mostrava que o giro estava altíssimo e a mais de cento e cinquenta por hora, era possível fazer as curvas mais fechadas. Até que o intransigente aparelinho deu o ar de sua graça mais uma vez...

Com cara amarrada, deu seu braço a torcer de que já era tempo de pôr os ossos em ponta. Se arrastando, foi até o banheiro jogar água fria no rosto. Já na cozinha: pão de forma com manteiga e café com leite para aplacar a fome. Dentro do ônibus, indo para o trabalho, estava indignado com sua condição desperta (ainda mais vendo seus semelhantes na mesma barca), mas e o que se podia fazer? Precisava de seu soldo para pagar o aluguel do apartamento, que, por consequencia, era o santuário do seu colchão. O que lhe trazia certa satisfação, afinal sabia que aquele seu mundinho real agia como antagonista do onírico: tudo o que não podia ser, tudo o que não podia ter, eram reflexos de sua boa-ventura - enquanto mantivesse os olhos fechados.






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