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segunda-feira, abril 16, 2012
Sorria, meu bem... Sorria!


Na maioria das fotos em que estou presente, apareço fazendo caras e bocas. Na verdade nem tantas “caras e bocas” assim, visto que a minha versatilidade para caretas é bem pequena. De qualquer maneira, é mais fácil que eu esteja ou contorcendo a cara, ou sério, ou fugindo da câmera, do que sorrindo. Mas e qual é o porquê disso? E essa pergunta já me foi endereçada, ao que, se me tivesse brotado no momento, a presença de espírito necessária para fazê-lo, responderia assim: “vai tomar no cu, não te interessa, a cara é minha e faço dela o que bem entender, seu merda!”

Entretanto, a resposta mais sincera seria a seguinte: eu acredito que o sorriso, quando verdadeiro e representando certo “estado de espírito”, deva ser espontâneo. Eu não gosto de tirar fotos e não me sinto à vontade naquele breve intervalo de tempo entre o posicionar-se e o esperar pelo click do fotógrafo. Quando estou nesta situação de desagradável desconforto, é passível de entendimento que minha espontaneidade demonstrasse antes uma expressão de puro descontentamento do que um sorriso sincero. Porém, ao mesmo tempo, se me dispus a posar ao lado de outrem, “fi-lo porque qui-lo” e transparecer uma expressão de ódio talvez depusesse contrariamente ao apreço que sinto por quem está na imagem comigo.

Não sei se existe um estudo histórico ou etimológico da careta, mas a mim parece ser muito adequado, em diversos momentos de constrangimento, manifestar-se através de caretas com o fim de fazer com que os outros riam (e com isso “quebrar o gelo” de determinada situação) ou, simplesmente, demonstrar uma expressão facial absolutamente artificial, conquanto aconchegante e descontraída. Claro que a careta pode ser utilizada como afronta ou até mesmo para despertar o medo em alguém, além do uso muito corrente de chamar de “careta” aquele que não consome drogas de nenhum tipo, mas para tais casos a minha explicação aqui não se enquadra já que esses não seriam, necessariamente, momentos de constrangimento.

Portanto, para finalizar: a careta é uma ferramenta muito mais eficiente do que o sorriso amarelo, visto que ela é uma alteração da expressão facial (tais como o sorriso ou o emburramento os são) mas é uma maneira de compatibilizar a minha absoluta alegria em estar ao lado da(s) pessoa(s) que estão na foto, ainda que eu esteja numa espiral desnorteada de impostura atabalhoada, causada pela minha evidente incompatibilidade mundana de posicionar-me frente às lentes.






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